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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Honestidade Intelectual


A mentira entristece
e além 
que tenhas mentido, 
entristece 
mais por já 
não poder
confiar.
Nietzsche entendia. 
Honestidade intelectual...
como 
um ato 
que se 
enraíza 
na vida, na 
autenticidade, 
em pensar,
como
exercício 
de liberdade.
Dizer algo 
sem 
mesquinhez 
ou
a trapaça oculta. 
Pensar é nosso 
maior valor, 
algo que deva 
ser elvado a sério.
Reportamos assim
nossas convicções,
nossas mais,
sublimes esperanças.
Essa atitude deriva do que 
Nietzsche sabia que filosofia, 
acima de tudo 
é duvidar das verdades,
filosofar é um ato que 
se enraíza na vida 
e um exercício de liberdade,
Em medicina significa algo
Prodrômico o que é indicativo 
de uma patologia clínica, 
um o conjunto de sinais 
e sintomas que prenunciam 
uma doença ou uma alteração 
da normalidade orgânica.
Ele pressentiu, em estado prodrômico...
as ameaças mais fatais de nosso tempo.
Anteviu o panorama sombrio que poderia 
advir do projeto sociopolítico 
de uma sociedade de massas.
Nietzsche profetizou que a 
sociedade ocidental 
caminhava, desde então, para 
um nivelamento por baixo".
Ele penetrou nos labirintos da Alma 
para além de Bem e Mal 
e muita gente tem 
"Sonhos e Pesadelos" 
de  Razão não Esclarecidas 
a ler suas obras.
Dentre os clássicos da 
filosofia moderna, 
Nietzsche talvez seja 
o pensador mais incômodo 
e provocativo. 
Sua vocação crítica cortante 
o levou ao submundo 
de nossa civilização, sua 
inflexível honestidade intelectual..
denunciou a mesquinhez 
e a trapaça ocultas 
em nossos valores mais elevados,
dissimuladas em nossas convicções 
mais firmes, renegadas em nossas mais..
sublimes esperanças. 
Essa atitude deriva do que 
Nietzsche entendia por filosofia.
Para ele, filosofar é um ato 
que se enraíza na vida 
e um exercício de liberdade. 
O compromisso 
com a autenticidade da reflexão 
exige vigilância
crítica permanente, que denuncia 
como impostura 
qualquer forma de mistificação intelectual.
Por isso, Nietzsche não poupou 
de exame nenhum 
de  nossos mais acalentados artigos de fé. 
O destino da cultura, o futuro do ser humano 
na história, sempre foi sua 
obsessiva preocupação.
Por causa dela, submeteu à crítica todos 
os domínios vitais de nossa civilização 
ocidental: científicos, éticos, religiosos 
e políticos.
Nietzsche é um dos grandes 
mestres da suspeita, 
que denuncia a moralidade e a política 
moderna como transformação 
vulgarizada de antigos valores 
metafísicos e religiosos, 
numa conjuração subterrânea 
que conduz ao amesquinhamento 
das condições nas quais se 
desenvolve a vida social.
Nesse sentido, ele é um dos 
mais intransigentes 
críticos do nivelamento 
e da massificação da humanidade. 
Para ele, isso era uma consequência 
funesta da extensão global 
da sociedade civil burguesa, 
tal como esta se configurou 
a partir da Revolução Industrial.
Nietzsche se opõe à supressão 
das diferenças, 
à padronização de valores que, 
sob o pretexto de universalidade, 
encobre, de fato, a imposição 
totalitária de interesses particulares; 
por isso, ele é também um 
opositor da igualdade 
entendida como uniformidade. 
Assim, denunciou a transformação 
de pessoas em
peças anônimas da engrenagem 
global de interesses 
e a manipulação de corações 
e mentes pelos grandes dispositivos 
formadores de opinião.
O esforço filosófico de Nietzsche o levou a 
se confrontar com as 
grandes  correntes históricas responsáveis 
pela formação do Ocidente: 
a tradição pagã...greco-romana 
e a judaico-cristã; e o que resultou 
da fusão entre as duas.
Ao longo desse seu confronto com 
o conjunto da herança cultural de nossa
tradição, Nietzsche forjou conceitos 
e figuras do pensamento que até 
hoje impregnam nosso vocabulário 
e povoam nosso imaginário político e artístico.
Tais são, por exemplo, as noções 
de Apolo e Dionísio, transformadas 
em categorias estéticas, os conceitos 
de vontade de poder, 
além-do-homem (Übermensch), 
eterno retorno e niilismo e 
a figura da morte de Deus. 
É impossível se colocar à altura dos principais temas e questões de nosso
tempo sem entender o pensamento de Nietzsche.
Ateísta radical, ele atribui ao homem a tarefa de se apropriar de sua essência e definir as metas de seu destino. 
Dele afirma o filósofo Martin Heidegger: 
"Nietzsche é o primeiro pensador que, perante a história universal pela primeira vez aflorada em seu conjunto, coloca a pergunta decisiva e a reflete internamente em toda a sua extensão metafísica. 
Essa pergunta reza: como homem, em sua essência até aqui, está o homem preparado para assumir domínio da terra?" Nesse sentido, Nietzsche é o pensador de nossas angústias, que não poupou
nenhuma certeza estabelecida --
sobretudo as suas próprias convicções-- 
e desvendou os mais sinistros labirintos da alma moderna. Com a paixão 
que liga a vida ao pensamento, 
Nietzsche refletiu sobre todos 
os problemas cruciais da cultura moderna, sobre as perplexidades, os desafios, as vertigens no fim do século 19. Dessa sua condição, postado entre o final e o início de duas eras, Nietzsche esboçou um quadro que, em todos os seus matizes, nos concerne ainda, na passagem a um novo milênio, em direção a um destino que ainda não se pode discernir.
A despeito de sua visão sombria, Nietzsche tentou ser, ao mesmo tempo, um arauto de novas esperanças. Sua mensagem definitiva --a criação de novos valores, a instituição de novas metas para a aventura humana na história
é também um cântico de alegria. Essa é uma das razões pelas quais o estilo de Nietzsche resulta da combinação paradoxal de elementos antagônicos: sombra e luz, agonia e êxtase, gravidade e leveza.
Isso explica por que, para ele, o riso e a paródia são operadores filosóficos inigualáveis: eles permitem reverter perspectivas fossilizadas.
Nietzsche, o impiedoso crítico das crenças canônicas, é também um mestre da
ironia. Sua ambição consiste em tornar superfície o que é profundidade, restituir a graça ao peso da seriedade filosófica.
Opositor ferrenha da dialética socrática, 
Nietzsche reedita, no mundo moderno, o gesto irônico do pai fundador da filosofia ocidental. 
Decisivo adversário de Platão, sua filosofia talvez possa ser caracterizada como uma inversão paródica do platonismo. Definindo-se como o mais intransigente anticristão, dá, no entanto, à sua autobiografia intelectual, escrita no final de sua vida, o título Ecce Homo ("Eis o Homem")expressão empregada por Pilatos ao apresentar Jesus a seus algozes, pouco antes da Paixão. 
Nietzsche, o filósofo-artista, 
um poeta que só acreditava numa filosofia que fosse expressão das vivências genuínas e pessoais, vendo na experiência estética uma espécie de êxtase e redenção, é, por isso mesmo, um precursor da crítica a um tipo de racionalidade meramente técnica, fria e planificadora. 
A despeito da profundidade e da gravidade das questões 
com que se ocupa, 
sempre as tratou 
em estilo artístico, 
poeticamente sugestivo;
só acreditava na autenticidade 
de um pensamento que nos 
motivasse a dançar.
Ele mesmo imagina sobre 
sua porta a inscrição:
Moro em minha própria casa
Nada imitei de ninguém
E ainda ri de todo mestre
Que não riu de si também.
Sem extravasar os limites
esta explanação de
Nietzsche se propõe a ser 
uma apresentação 
geral do homem 
e do filósofo Friedrich Nietzsche.
Se familiarize com os conceitos, 
as figuras 
e o estilo de Nietzsche,
não para depois encerrá-los 
em qualquer 
câmara da memória, 
mas ele
desperta o interesse 
e estimula-lo a seguir adiante.
Aceitar o desafio de Nietzsche 
implica,
sobretudo, 
pensar independentemente
e por isso, às vezes,
também contra Nietzsche.