Rebel: Imagens, palavras..minha essência... um amigo da natureza

Rebel

LOOKING IN WINDOW


R.E.B.E.L - Most View- - Week- Top Ten

domingo, 9 de julho de 2017

Aconteceu em 1965

A infância 
é o que 
demais nobre,
que a 
gente tem,
é sobre ela, 

como de 
quem nasceu 
no fim anos 50...
que escrevo...
A liberdade 

da imaginação 
é gerada
pela vida...
vai desde a infância  
continua vida adiante,
que muitas vezes 
vai e vem,
viram literatura.
Há histórias..
algumas 
verdadeiras, 
outras..
suspeitas 
ou 
inventadas...
que nada demais contar...
Viram ou 
não viram....
Lembra o 
dia da neve...
Venham 
ou não venham..
reais ou imaginárias...
Mas vou a 
uma história...
da infância...
verdadeira. 
A vida 
é de cada um,
um brilho,
como é 
o sol em Iomerê,
suas montanhas.
Montes que rodeados 
de muito verde, 
levam ao sonho 
e encantam,
que se deixa ir e vir
em suas nuances, 
então sobre tuas histórias,
como se numa fantasia...
num mundo encantado,
um mágico, 
aponta a vara e diz: 
conte-as 
senão
silencia-as. 
Não estrague-as, 
na minha imaginação 
como quiser,
mas seja tua...
minha também a imaginação.
Sou uma pessoa 
muito inquieta...
imaginativa... 
As vezes como, 
me porto, como um poeta, 
como um fotógrafo,
um buscador de fatos e histórias,
mas, que não para nunca, 
que está sempre buscando,
admirando, 
novos e antigos caminhos.
Um  caminho é o que 
se fez 
ou se  faz caminhando....
a cada dia.
Um caminho que se fez ontem..

muitos o trilharam.
Hoje como ontem..
pensava ao andar por ai...
na bela praça...
em frente  a matriz..
era já noite... a lua linda,
num mesmo lugar,  ainda lembro
do que foi há 50 anos,
mas já no inverno de 2015.
O grande Boneco 
de neve na Praça...
Um dia tudo será memória... 
as pessoas andam na praça,
há os que andam
naquela rua,

os felizes,
as gentis,
as sábias,
as más,
todas,
todas,
todas,

serão memória um dia..
Da mente brilhante,
tem coisas 

que certamente
nunca sairá..

de que a cidade pequena,
não era bem o lugar 
que imaginava,
que a vida era só sofrimento,
não isso é só besteiras,
claro nenhuma cidade 
é só dos sonhos,
mas dos sonhos 
era a amada Iomerê,
assim é nossa memória...
que revive volta e meia...
nos passos que 
já dei neste praça,
na escola, na igreja matriz..
Não dá para falar
que há uma memória
dos anos 50,

que foi um tempo que 
aqui não estive,
aportei aqui,
depois de uma viagem, 
sobre uma carroceria de madeira,
lembro bem  da camisa 
de Boulon azul anil,
num 
caminhão
mas já  era nos anos 60,
em agosto de 1963,
quando tinha 9 anos...

há...este momento em 
minha memória.
Não se pode lembrar tudo
o que é verdade...

e há o que não se inventa,
e há o que se inventou...
pouco porém...

é tão verdade como estar
na  bela Iomerê.
Há textos de quando vim morar 
em Iomerê..nos anos 60.
faz tempo que foram pensados..
Lembro do Frei Evaristo,
a escola onde estudei até os 15 anos
mas vou escrever
o fato que mais 

me tocou naquele período.
De tudo que reparei 

na minhas memórias
e que eram próximas de mim...
a pobreza,
o desamparo,
a rejeição.
Foi na neve de 1965,

amanheceu tudo branco,
fomos a janela...era algo fabuloso,
encantamento dizia tudo diante,
do branco,
meus olhos iluminavam, em pouco tempo,
era já lágrimas
em que,
não fui impedido de ver a neve,

mas de caminhar nela.
por não ter sapatos.
O meu conflito íntimo, 

de estar fora,
na alegria compartilhada,
com meus pais e irmãos,
vizinhos,
de ver a neve....
mas caminhar,
brincar,
sonho de sair 
com irmãos e amigos.
é como me senti,
diante de uma 
situação dramática..
no quarto vazio,
o pé descalço.
o frio da manhã,
o dia, 

a imaginação,
me contavam
da festa na praça...
como tal evento...
está na foto, abaixo,
tudo muito triste.
O dia na memória é povoada
por este fluxo de lembranças,
cujos desdobramentos dão origem,
a uma incessante busca...
do significado...
do lado psicológico 

e espiritual..
que mexe com a gente.
Mais do que sentir-se rejeitado,
há a fragilidade de aceitar
na criança que era,
que já tinha enfrentado 
a perda de 2 irmãs... 
Mas o prazer negado,
de ver.. a neve..

na praça...
de Iomerê
na inocência...
de época..

ainda mais que fiquei sabendo 
que se construíra 
lá um boneco de neve...
mais  via já na rua em frente,
onde havia uma 
loja do Perroto,
que havia tantos amigos lá, 
se jogando flocos, 
enquanto a neve branca 
e incessante, caía, 
e até o padre 
Ernesto Boff,
como tantos por lá.
NEVE É ALEGRIA... E FOI.

Como outros textos autobiográficos,
há incômodo de saber 
que poderia ter sido,
não foi 

e o que foi..
Fui alvo, de uma rejeição e bom saber que foi momentânea...
No traçado da lembrança
há um linha entre sonho e  a memória,
há a história,
de um garoto que está angustiado...
que permanece uma manhã assim.

Há algo de lá..
poderia ser algo 
atravessado...
é bem diferente,
na contradição entre
o corpo
e o espírito
e o sonho,
de um menino..
A vida em Iomerê reservou,
um belo dia..
quase uma semana,
que foi o tempo que durou,
os bonecos de neve,
que ficaram,
na praça de Iomerê.
Na tranquilidade de hoje,
sinto que não me permiti
que o sofrimento
me tomasse,

se tornasse,
uma chaga a vida toda..
ali um desgosto momentâneo...
na pobreza que era marcante.
A vida é assim,
de coisas que simplesmente 

não acontecem,
mas não,
há mal que sempre dure
ou que não dure a vida inteira...
afinal sempre há uma
alma bondosa a reparar
o mal feito...

Aconteceu em 1965,
houve uma vizinha..

a sempre  bondosa,
Dona Filomena Faoro,

que adentrou a casa  de alvenaria,
em frente, ao lado do moinho,
veio até mim,
reparou o mal estar,
providenciando
o par de sapatos,
no meio 

para o fim da  manhã...
um sapato preto, 
que era do seu Filho caçula,
Nelson Faoro.
Com uma meia de lã..

então tive o prazer de ver,
correr, pegar flocos,
alegria era toda minha 
e dos guris da vila,
os Santini, Zucco, Lopes, Comelli,
Faccin, Zanini,
Faoro, Penso, Hentz, Candiago,
Zardo, Lazzari, Mendes, Mariani, 
Penso, Nora, Colissi, Rech, Pasqual, Viecelli, 
e os seminaristas Camilianos,
que desciam o monte na escada...
que continua até hoje....
a escada e  a alegria.
No momento era de brincadeiras,
foi o prazer de ir a praça.
ver a neve..
como na foto abaixo..
no exato momento do inverno 
que aconteceu em Junho de  1965.
Fotos uma gentileza 
dos padres Camilianos,
Maria Clara Penso.
e Rebel