Rebel: Imagens, palavras..minha essência... um amigo da natureza

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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Teto solar

Mas às vezes me lembro
de quando estive em um,
acidente de carro:
atravessei  a pista,
o carro bateu no barranco, capotou 
e foi cair em uma grama.
Quebrou o para-brisa, 
era tudo que via em frente
e quando olhei para  o teto,
sai por ai..
o lugar existia e aberto, 
onde existia um teto solar,  
estava sangrando  no pescoço,
levemente caminhei devagar  até chegar estrada
e  vi quando um policial  chegou..
perguntou por meu documentos.
Meu corpo estava em condições
anormais, 
mas apenas escoriações no pescoço..
e muito susto e medo. 
Ouvi alguém dizer:
"Ei, você sabia que houve
morte no trânsito no carro ali ..
De outro a pergunta...
o cara salvou-se..
" Um passante  lembrava
que..
a medicina moderna
está fazendo maravilhas
com transplantes de órgãos..
Enquanto outros murmuram,
"Bem, pelo menos ninguém morreu."
É com isso que eu convivi..
por muito momentos...
Como se meu mundo
tivesse  renascido... 
vi a fria emoção
de muitas pessoas ..
vi minha danificada e cansativa
condição de ser de carne e osso...
em varias alusões na estrada.
Outros, enquanto olhavam,
sem realmente me olhar,
diziam homens morrem...
todo dia no Brasil..
estas estradas sem pista dupla
é uma tragédia. 
Isso é muito sério, acidentes assim, é 
algo que muda vidas..
há sangue..
há trauma,
tudo fica por anos,
ou pelo resto de sua vida.
Que tal um sorriso,
uma palavra amável e um abraço..
foi isso que senti de uma senhora,
noutro lado da rodovia...
Mas é difícil.
Confusão, medo aturdem
frequentemente os homens
numa situação assim,
em um silêncio passivo
e deprimido.
Médicos acham que muitos acidentes..
e mal falam durante os atendimentos e consultas,
deixando os  feridos apavorados.
É como se o meu conhecimento biológico
e Médico atordoasse mais..
algo devastador demais
para resumir em algumas palavras.
Fantasmas da sala de emergências
ou sala de espera,
pessoas  com seus olhares distantes...
no meu tempo de residência médica. 
E se eles falam, será em murmúrios, como se
o  acidente exigisse sussurros.
Eles não entendem,
que para não se ver reduzido,
a uma cifra, um mero "caso",
você não precisa estar consciente e falante.
Sendo um paciente, quando você não fala, 
ou quando você incorpora  a si,
a maneira calma e descolada de um médico, 
tudo que você consegue
é se tornar "carne", uma carne pacata.
E ninguém lhe afaga atrás das orelhas
e diz "bom menino" por ser mudo.
É difícil evitar aquela sensação
de ser como carne.
Cada  médico  te reduz 
a seu ferimento
peso/temperatura/batimentos.
Como não fui operado
e nem fui a um hospital.. 
no meu acidente..
lembro e outra situação,
um cirurgia de apêndice no último ano
da  graduação em Medicina.
Acordo todas as manhãs
com sussurros e barulhos  
como no tempo
do hospital em que fui operado
de apendicite.
Jovens corvos com olhos
brilhantes e inteligentes,
se agitavam sobre meu corpo
em meu quarto,
quase como um grupo dos três patetas 
em jalecos brancos,
para cutucar o velho corvo.
Eu não quero ser duro demais
com eles, pois são crianças,
e eles têm muito a
aprender em tão pouco tempo.
Mas para a maioria deles,
suspeito eu, 
eu era apenas um caso,
uma das muitas exibições médicas
de cada manhã.
Eu preferia as conversas humanitárias 
e embriagadas de morfina que mantinha com 
os pacientes e  seus ajudantes no meio da noite.
O cara que falava sobre filmes de super-heróis após conferir o filme do Homem de Ferro que meus amigos tinham me dado.
E o sujeito que abriu meu curativo,
enquanto drenava minha cicatriz..
relacionada ao meu corte cirúrgico..
Me contou sobre quando precisou operar.. 
ao se acidentar, quando era jovem e estúpido.
Saber que os ajudantes e enfermeiras chamavam meus dois redondos drenos de plástico de "granadas" me fez sorrir.
E foi uma de minhas granadas
que fizeram um residente
entender que eu era mais
do que apenas outro 
"pós-operatório de cirurgia de apêndice."
Não consigo recordar seu nome,
a maioria dos residentes se apressou 
em dizer nomes do mesmo modo que se apressavam pelos corredores e eles parecia novos como eu, jovens.
Tinham me dito para remover meu dreno, no terceiro dia.
No momento em que ele,
o tocou, eu soube que nós dois estávamos 
com grandes problemas.
Ela tinha de agarrá-lo firmemente, 
e então dar um puxão.
Ao invés disso, 
ele o médico 
Dr. W... 
o segurou cautelosamente, como se fosse uma cobra nervosa.
Em vez de puxar, ela o agitou dentro de meu corpo.
Doeu, acredito, como ser torturado: 
fiquei tonto, quase vomitei e, sim, suei muito frio.
Quando lhe falei que ia desmaiar, 
ela saiu timidamente e pediu ajuda.
Mas sei que ele não me esquecerá.
Eu me tornei uma pessoa real naqueles 
momentos de suor frio, deixei de ser uma abstração.
Eu me tornei assim sobre a cama...