Rebel: Imagens, palavras..minha essência... um amigo da natureza

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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

SURREALISM.


SURREALISMO, upload feito originalmente por *...REBEL..*.
Que é 
SURREALISMO.
Respondo,
é onde o Brasil
está tomado..
Nosso subdesenvolvimento 
é uma afronta. 
Lévi-Strauss (1908-2009)...
DISSE:
"O Brasil é um país surrealista".
Talvez toda esta razão,
seja exatamente 
por isso que,
por comparação 
com o que ocorreu 
em Portugal,
na Espanha ou na França, 
por exemplo,
em que o surrealismo 
tenha vingado  apenas nas artes,
mas
relativamente pouco 
nas artes brasileiras.
O poeta alemão Friedrich Hölderlin 
(1770-1843),
Aprendemos com maior
dificuldade o que 
não nos é natural,
que temos dificuldade,
de usar livremente
o que não nos é natural.
Afinal, 
não é a arte precisamente
o oposto da natureza, 
como
o artificial,
do natural ou de Lévi-Strauss.
Tendo isso em mente, 
lembremo-nos
também do certo clichê
representado,
em filmes de Hollywood do Brasil,
de
algumas décadas atrás, 
 como republica das bananas
de carme Miranda,
que faz
do homem tropical um mero
escravo
da natureza circundante,
dos vícios ou das paixões
que ela lhe impõe, 
reduzindo-o 
à indolência 
e à passividade.
Se Hélio Oiticica (1937-1980),
por exemplo,
dizia sentir no âmago 
da alma brasileira uma 
"vontade construtiva geral"
O sentido
mais profundo 
da palavra "tropicália" feito por Oiticica e, 
em seguida, pelo movimento musical 
liderado por Caetano Veloso 
e Gilberto Gil 
teria sido o de promover 
a reversão e/ou ironizar 
tal concepção estereotipada dos podres trópicos.

De todo modo, é claro que Brasil
não poderia deixar de se 
opor tanto à submissão à natureza 
quanto ao surrealismo.
Com efeito, a arte brasileira e moderna,
em 1922
ou da epopeia glauberiana do cinema novo à decantação joão-gilbertiana do samba 
e da bossa nova,
o plano piloto dos arquitetos da visão 
e loucura de Brasília 
ao plano piloto dos poetas concretistas dos campos e espaços de São Paulo,
da a psicologia da composição 
de João Cabral,
dos relevos 
espaciais de Oiticica,
dos bichos geométricos de Lygia Clark, 
do filme "O Cinema Falado" (1986), 
de Caetano Veloso etc.-,
Tudo parece confirmar a "vontade construtiva geral".
O artista brasileiro moderno 
tende a desconfiar do dado imediato, isto é,
do lugar da natureza, da cultura,
da história em que os outros
querem situá-lo no mundo.
Entende-se: o dado,
aquilo que é constituído pelo passado

natural e cultural, é no Brasil tomado principalmente como o tempo do subdesenvolvimento, da dependência cultural, política e econômica, da escravatura. 
É da reação contra essa situação que surge a tendência construtiva de quase toda a nossa melhor arte. 
Nada no Brasil é só passado.
Nesse processo, 
não é o Brasil do passado 
que determina o Brasil moderno.
Ao contrário: é o Brasil moderno 
que reinventa o Brasil do passado.
Também nesse sentido tinha razão o crítico Mário Pedrosa (1900-1981), ligado a artistas de vanguarda como Ferreira Gullar, 
Lygia Clark e Hélio Oiticica, 
quando sentenciou que 
"o Brasil é um país condenado 
ao moderno".
Para o artista brasileiro, 
pensar sobre o Brasil,
é pensar que o Brasil,
não se pode deixar de ser,
de reinventá-lo. 
Grande parte dos artistas modernos, 
os vários modernismos desde 22, 
no concretismo, 
no neoconcretismo, na bossa nova, 
no tropicalismo 
e nos artistas contemporâneos 
sempre encontraram 
essa mesma situação 
ante a tarefa de inventar
um Brasilis,
da descoberta-invenção do Brasil.
Somos um país 
visualmente excitante, 
mas esta beleza plástica 
se tornou um peso.
Sofremos  a todo dia,
consequências 
de sua grande ambição.
Tudo está perigosamente
ou  anda perigosamente 
próximo do caos.
Tudo  hoje é assim,
sempre tem efeitos 
bem desconcertantes.
No fim, somos um pais 
que não 
consegue fazer realidade,
sua ambição 
Tudo isso, faz que tudo se torne 
uma pretensão absoluta, 
impedindo que seja de fato.
O futuro é sempre comprometido,
considerando o presente,
somos menos,
do que sempre sonhamos,
devemos 
ou procuramos,
ou parecemos que não  
busca voos mais altos.