Rebel: Imagens, palavras..minha essência... um amigo da natureza

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sábado, 31 de dezembro de 2016

Les Fleurs du Mal

Trechos
Do livro de 
Charles Baudelaire..
Flores do mal.
...
Teu ar, 
teu gesto, 
tua fronte
São belos qual 
bela paisagem;
O riso brinca 
em tua imagem.
 Qual vento 
fresco no horizonte.
A mágoa que te 
roça os passos
Sucumbe à tua 
mocidade,
À tua flama, 
à claridade
 As fulgurantes, 
vivas cores
De tuas vestes 
indiscretas
Lançam no espírito 
dos poetas
A imagem de 
um balé de flores.
 Tais vestes loucas 
são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!
Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;
E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.
Assim eu quisera uma noite,
Uma larga e funda ferida,
E, como êxtase supremo,
Por entre esses 
lábios frementes,
Mais deslumbrantes, 
mais ridentes,
Infundir-te, irmã, 
meu veneno!


Quando a hora da volúpia soa
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,
Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,
Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Minha doce irmã,
Pensa na manhã
Em que iremos, 
numa viagem,
Amar a valer,
Amar e morrer
No país que é 
a tua imagem!
Os sóis orvalhados
Desses céus nublados
Para mim guardam o encanto
Misterioso e cruel
Desse olhar infiel
Brilhando através do pranto. 
Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor. 
Os móveis polidos,
Pelos tempos idos,
Decorariam o ambiente;
As mais raras flores
Misturando odores
A um âmbar fluido e envolvente,
Tetos inauditos,
Cristais infinitos,
Toda uma pompa oriental,
Tudo aí à alma
Falaria em calma
Seu doce idioma natal. 
Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor. 
Vê sobre os canais
Dormir junto aos cais
Barcos de humor vagabundo;
É para atender
Teu menor prazer
Que eles vêm 
do fim do mundo.
Os sangüíneos poentes
Banham as vertentes,
Os canis, toda a cidade,
E em seu ouro os tece;
O mundo adormece
Na tépida luz que o invade. 
Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.