Rebel: Imagens, palavras..minha essência... um amigo da natureza

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Um lugar que existe, mas a inocência não existe mais.

Havia um tempo 
sim,
mas 
era outro tempo,
o lugar é o mesmo,
as pessoas,
eram outras,
em que viviam aqui...
...
Hoje há um outro
lugar,
um outro
olhar  
de tudo que foi, 
de tudo que passou,
de tudo 
que está ai,
vendo esta foto.
Havia religiosidade,

havia medo,
havia 
timidez..
mas sobretudo 

havia coragem, 
em todos lados da cidade
sem nunca ter inveja 
mas orgulho. 
iomerê nos 
acolheu muito bem
Agora vejo, 
como 
em 
todos este anos...
mudou as pessoas,
tudo mudou.
onde para alguns 
confiar 
era algo inocente,
se confiava mais
nas pessoas, 
no bom sentido
o capitalismo não 
era tão selvagem, 
como hoje é aqui.

.....
Aquele tempo
era mesmo um tempo belo,
algo que se perdeu  
no tempo.
E agora ando 
correndo, pensando 
e procurando este 
tempo inocente,
um tempo mais puro,
lugar que em 1963 
era um novo lugar, 
mas aquela casa 
onde morei,
nada resta,
nada mais me resta 
além da lembrança.
Tudo aqui
já foi tão bom.
...
Encontrar alguém  daquele tempo 
prá ficar batendo papo
é mais difícil.
Agora vendo, 
aqueles senhores 
no  Bar do Volpato o antigo Clube, tudo meio estranho...
Nem
tudo
se perdeu..
E agora é tarde, 
vejo 
o fim 
de tarde..
os belos 
montes 
da  
vista 
no horizonte..

No meu lado alguém 
que eu não conhecia..
compartilha o momento...
em Iomerê.
Outras crianças... 

jovens adultos e,
é um tempo chamado 2016..
Pelos anos  vejo  

muito que a memória escondia
E agora eu vejo..
vejo muito..
que era tão importante 
ir no Frei Evaristo...
na Igreja matriz...
o Seminário,
o Juvenato.
...
Nas manhãs geladas de inverno, em 1965..
não se andavam pelas ruas de Iomerê...
muito a vontade,
havia neve, o frio era maior. 
Me recordo sempre..
correndo, 
com os braços cruzados 
sobre o peito para tentar conservar 
o calor de meu casaco de lã...
que era emprestado 
do meu irmão...
queria ir a rua..
não tinha sapato para todos nós,
só havia um..
então podíamos ir a rua um por vez... 
Me recordo também de alguns homens 
que caminhavam devagar, com as golas 
do casaco levantadas e luvas na mão.
Eu os olhava, me perguntava 
se sentiam tanto frio como eu, 
me surpreendia com sua compostura 
e guardava minha curiosidade 
para mim mesmo..
mas,
eu senti muito frio..
um inverno de 
curiosidades.
Nos anos 60 do século 20, 
a curiosidade era 
um muita
para uma criança 
de 7, 8, 9 anos.
....
Cresci, 
entre  
vários
irmãos,
muitàs
vezes corria
pela casa.. 
corria pelo
mundo  
de Iomerê,
de pessoas, 
crianças e jovens 
e sorridentes que 
conhecíamos aqui no nosso mundo...
um momento assim..
tudo era novo. Quem é...
batiam a porta.. 
os amigos da família
estavam ali..
Quando em 1965..
Faz muito tempo.
Como foi, por que,
o que aconteceu..
que nos divertíamos,
ou depois a mãe nos reprendia..
mas é uma história tão gostosa.. 
é muito linda,
é melhor falar 
de assuntos agradáveis...
eram muito legal estar ali quando nos 
mudamos vindo,
de Pinheiro Preto em 1963.
Ali, naquele momento 
do qual ninguém 
se atrevia a sair 
sem um grosso casaco..
eu ouvia falar de muitos 
na vizinhança,
embora ainda percebia 
nos olhos dos adultos 
como uma admiração... 
aberta, pelo frio ou pela 
branca paisagem da geada.. 
mas a neve era 
novidade a todos 
e  terminavam 
em 
todas as conversas...
neste assunto.
...
Assim aprendemos 
perguntar muito antes de ler versos ..
ouvíamos todas as histórias da História, 
sem dúvida a mais alegre, 
porque determina o momento...
mais feliz que vivíamos.
...
Os Iomerenses de hoje não
gostam 
de se lembrar disso.
Vivíamos em um país pobre, 
mas isso era novidade.
Sempre tínhamos a ideia de ter sido 
pobres, inclusive na época em que 
se ouvia a radio Voz da América, 
que os Americanos eram senhores do mundo, 
mas poderia, 
ser os portugueses levaram o ouro do Brasil,
atravessavam a província de Minas 
sem deixar em seu rastro nada para nós, 
mais que a poeira levantada pelas carroças 
que o levavam a Portugal, 
para saldar as dívidas da Coroa....
assim pensava ouvindo as aulas de História 
que poderíamos ser ricos..
o Brasil podia...
enfim éramos um país pobre 
e continuamos assim...
Na Iomerê de minha infância, 
onde vivia era sobretudo 
de uma simplicidade a prova, 
não havia luxo, tudo que 
não estava ao alcance 
das  famílias.. por que 
não se sabia.
Viajava a Videira 
que esperavam a hora 
de embarcar em um trem, 
a caminho de Joaçaba.. 
ou de Caçador..
mas a pobreza já deixava 
de ser um destino familiar, 
tínhamos educação, a única herança 
que muitos pais podiam 
deixar para seus filhos.
Entretanto, nesse legado 
havia algo mais,
uma riqueza que perdemos...
o convívio com os padres e seminaristas, 
a celebrações na igreja, a férias com a convivência 
de pessoas que estudavam fora no fim de ano.
Olho para trás e me recordo de tudo, do frio, 
dos silêncios, do nervosismo dos adultos quando se cruzavam com um policial na calçada, de um costume antigo...
medo do delegado. 
Se um pedaço de pão caía ao chão, 
nos obrigavam a recolhê-lo e  devolvê-lo à cesta de pão, porque houve muita fome em nossas casas, 
tínhamos muito cuidado, com o pão de todo dia.. 
A cidade parava quando morreram aquelas 
pessoas queridas de quem ninguém queria nos falar.
Porém, por mais que eu me esforce, me recordo da tristeza...
da morte de minha irmã em 1964.
Não há raiva, sim,  belas lembranças de alguns homens e mulheres 
que em uma só vida 
tinham acumulado tragédias, como alguns casos de assassinatos foram 3 que eu ouvi, 
o suficientes para afundar as vezes, 
a crença da bondade das pessoas.. 
mas que, não obstante, continuavam existindo. 
Porque  até uns 50 anos atrás, 
os filhos herdavam a educação o respeito acima de tudo, 
mas também a dignidade de seus pais, 
uma maneira de ser humilde mais digno, 
sem deixar de ser solidário, sem deixar de lutar 
por seu futuro, sem nunca se dar por vencido.
Nem mesmo nos 60 da feroz ditadura 
que foram os frutos daquela guerra maldita, 
com esquerda se conseguiu evitar que seus amigos prosperassem.. que se apaixonassem, 
que tivessem filhos, que fossem felizes.
Na minha querida Iomerê de minha infância, 
a felicidade era também uma maneira de resistir...
a todas as dificuldades.
Depois nos disseram que era preciso continuar a esquecer...algumas mágoas.. 
Que para construir a vida era imprescindível 
olhar para frente, fazer como se nunca tivesse 
acontecido nada por aqui. E, ao esquecermos o ruim, não esquecemos o bom.
Parecia importante, porque de repente 
éramos bonitos, 
éramos modernos, 
estávamos na moda...
éramos hippies.
Para quê não recordar 
da guerra do
Vietnã,
a morte de Kennedy,
centenas  de mortos na ditadura... 
tanta hostilidade no golpe de 64...
com os comunistas doutro lado.
Assim,  sem renegando  o momento sobretudo, 
não perdemos os vínculos com nossa própria 
tradição do povo de Iomerê,
as referências que agora nos deixa assim.. 
com palavras vinda do coração..
A cidade é um tesouro que 
não se compra com dinheiro.
Assim, nós, hoje, mais que  felizes, 
estamos gratos, mas as vezes 
abismados 
em uma confusão paralisante  do país.. 
Sentimos meio que desorientados 
como um menino mimado 
de quem tiraram 
os brinquedos e que 
não sabe protestar, 
reclamar 
o que era seu, 
denunciar 
o roubo, 
deter os ladrões.
Se nossos avôs nos vissem, 
primeiro morreriam de rir, 
depois morreriam de pena.
Porque para eles isso não seria 
uma crise, 
mas um leve contratempo,
Mas nós, que durante  
muito soubemos 
ser pobres sem roubar 
e viver com dignidade 
e soubemos ser dóceis...
isso não explica a vida  
e o assistencialismo de hoje.
....
Nunca mais agora...
Num lugar que havia em Iomerê..
lembrei..
havia um tempo..
dos vinhos Cometa..
agora eu vejo..
que tudo é lembrança..
como a praça antiga..
os seminaristas  Camilianos,

do antigo seminário..
o juvenato do Sta Marcelina...
no catecismo da Igreja Matriz São Luís..
o Frei Evaristo com a freiras..
num tempo em que se buscava 
outras coisas..
como ir na missa..
a festa de São Luís..
a raia..
o campo do Atlético 

ou Sarei.
O clube...
parece que quando 
éramos tão jovens
era tudo 
uma miragem,
mas nem tudo foi..
ainda há muito..
por aqui.
Basta olhar...
aqui 
é um belo lugar 
e tudo mudou,
para pior,
era meu lugar,
não mais agora.