Rebel: Imagens, palavras..minha essência... um amigo da natureza

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quinta-feira, 23 de março de 2017

Nossas Tristezas

...
"Nada é tão gostoso 
e bem habitável como 
um lugar em que 
se sente muito feliz".
Deixa eu escrever antes 
que eu me esqueça, 
é como acordar repetindo 
um sonho pra não deixá-lo fugir.
Quando estou triste, às vezes 
me vem na cabeça a melodia 
de alguma música.
Sem perceber, começo 
a cantarolar o verso 
e ele sempre traduz 
o que estou sentido
Ai...deixo a tristeza de lado...
Andar de bike..relaxo...
bom desestressar..e que mais..
bem vou escrever...
...
Voltando 
pra casa, de bike, 
sábado de sol maravilhoso, 
um fim de tarde, que eu adoro, 
o ar livre, 
sol na pele, 
e todo corpo sentindo 
o movimento.
Pois bem, 
eu faço assim...
sempre..hobby
Como é que se fala de uma 
coisa que, ao mesmo tempo, 
sei que não vai ter solução, 
não vai voltar atrás, 
que não adianta reclamar? 
isso cura com uma volta pelo bairro..
no asfalto em alta velocidade.
Uma rua especial, a beira rio, tem uma pracinha gostosa no fim,
e um rio, logo a beira 
de eucaliptos, 
só com casas doutro lado 
e asfalto lisinho, 
com uma inclinação suave 
o suficiente para ser perfeita 
para andar de bike.
É, eu tenho já alguns anos 
a mais, de quando 
comecei pedalar, 
ando de bike assim.
Mas só nessa pracinha. eu paro...
sentar um poco no 
banco da praça.
Tudo perto de casa, sol gostoso, 
poucos carros passando, nossa... 
minha bike no estilo "race", 
mais perigosa digamos.
Não significa que não faço 
manobras arriscadas, 
nem piruetas,
 nem derrapagens.
Não tenho mais o vigor 
físico, pernas, nem dedicação 
para tanto.
O vento no rosto, 
o asfalto passando embaixo 
dos pés, o corpo em 
perfeita harmonia 
com a bike. ate no fim da rua. .
A bike eh terapia...e lá vou..
ai, se estou triste demais.
Com a cidade, com a vida, 
com as lembranças, de quando 
uma vez, criança, eu perguntei 
para a minha mãe o que eram 
aquelas notícias no jornal 
e ela disse: 
"É que o mundo é assim, 
filho, vai ficando a cada dia pior". 
Passei a vida tentando não 
concordar com isso...e a calma 
da rua me diz que o mundo aqui 
não é assim...
E envelheço. 
Tenho + de 30 anos 
e descubro que não posso mais 
andar de skate num sábado 
ensolarado, na pracinha do bairro.
E ainda choro.
Acho que ainda sou criança. 
Tanta porrada na vida e ainda 
choro, ainda lamento, 
ainda sento 
aqui pra escrever sobre isso. 
Tentar gritar...não adianta
Hoje, uma pichação 
também ajudou. 
Dizia "flor do meu sertão", 
como as pichações 
dos anos 80, 
que diziam coisas. 
E a música veio. 
Mutantes. 
"Adeus, vou-me embora, 
pracinha, 
fulô do meu coração. 
Eu voltarei qualquer dia, 
é só chover no sertão".