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quinta-feira, 23 de março de 2017

Wild Capitalism

...
Pense 
bem..
Para Adam Smith, 
o homem moderno 
poderia vir a 
ser um covarde 
viciado em seus 
pequenos luxos.
Um mundo 
sem 
capitalismo  selvagem seria ideal.
Injustiça social,
sem o homem 
vender tudo até sua dignidade...
um mundo onde 
tudo é mercadoria.
Sonhamos com um 
mundo no qual todos terão praia,
sem trânsito, 
com areia e água igual 
para todos. 
Mulheres e homens se amariam 
sem ciúmes e também amariam 
outros animais e plantas de forma igualitária 
e com respeito. 
Um mundo no qual todos viveriam 
numa mistura de Islândia 
e França, com clima italiano.
Vulcões não engoliriam civilizações, 
tsunamis não invadiriam a terra, 
jacarés respeitariam os direitos 
humanos. 
Mulheres não desejariam 
mais de um vestido, 
homens não teriam 
medo da impotência. 
Todos integrados num sistema 
autorregulativo de paz e amor. 
Críticas de uma mente infantil.
A melhor crítica à sociedade de mercado 
foi feita por seu maior defensor, 
Adam Smith (século 18). 
Tradutor de Rousseau, 
Smith discutiu com ele a 
corrupção do caráter causada 
pelo sociedade comercial.
Rousseau entendia que a corrupção 
era política e seria resolvida 
com remédios políticos... 
revolução, destruição da cultura 
e técnica, frutos do mundo 
baseado em trocas comerciais, 
uma nova pedagogia que deixasse 
a harmonia e beleza da natureza 
humana inata se manifestar 
de novo na sua integração 
com a harmonia e beleza 
da natureza a nossa volta. 
E, assim sendo, de novo, 
voltaríamos ao mundo no qual 
o homem acordaria, caçaria 
de manhã, almoçaria ao meio-dia, 
escreveria um livro à noite, 
sem um tsunami ou inveja sequer.
Para Smith, a corrupção é moral, 
e não política. 
Interessante ver como 
aquele para quem a sociedade 
comercial era um trunfo humano 
a ser preservado, será 
o mesmo homem para quem 
o risco dessa mesma sociedade 
será muito mais difícil de curar 
do que para nosso filósofo da vaidade, 
Rousseau.
Smith temia que a sociedade de 
mercado causasse um enfraquecimento 
das virtudes heroicas. 
A perda dessas virtudes 
(coragem, disciplina e força), 
causada por uma vida baseada 
na produção de riquezas materiais 
e consequente riqueza de bens imateriais 
(hoje materializados em leis luxuosas 
sobre direitos, desejos e 
liberdades numa sociedade 
baseada em escolhas 
individuais contra sociedades 
que esmagam esta escolha sob 
a bota de modelos 
coletivistas tradicionais, religiosos 
ou marxistas), apareceria 
na covardia generalizada 
e no vício do bem-estar, 
material e imaterial.
Se a URSS tivesse ganho 
a Guerra Fria, seriamos todos 
pobres e ninguém teria esses 
luxos materiais e imateriais. 
O capitalismo deixou todo mundo frouxo.
Logo, o enriquecimento 
produz homens e mulheres 
covardes em larga escala porque 
produz demandas de luxo generalizado.
Para Smith, o homem moderno 
poderia vir a ser um covarde 
viciado em seus pequenos luxos. 
No entendimento do nosso iluminista 
escocês (o iluminismo britânico 
é infinitamente mais sofisticado do
que o francês, o único ensinado 
no Brasil tacanho 
de nosso dia a dia), 
somos capazes de benevolência 
e empatia (ou simpatia), 
e buscamos uma certa imparcialidade 
em nossos julgamentos morais 
por percebermos como ela 
é importante para 
o convívio racional.
Entretanto, a virtude heroica 
da sociedade de mercado, 
pensava ele, era a autonomia, 
não a pura kantiana, 
mas a capacidade de assumirmos 
nossas decisões morais na vida 
alimentada por nosso desejo de 
sermos donos de nossa 
vida material, 
na medida do possível.
Ele bem sabia o quão duro 
é ser assim. Sempre foi. 
Mas a corrupção do caráter, 
baseada nos ganhos materiais 
e imateriais do bem-estar, 
nos tornaria uns frouxos. 
E isso aconteceu. E esta frouxidão 
se materializa numa demanda 
interminável de facilitação da própria vida.
Logo, vamos exigir a abolição do 
trabalho como direito. Ganhar 
a vida com o suor do rosto 
sem garantia de retribuição 
será considerado contra os direitos humanos.
O novo crescimento do socialismo 
rosa-choque, inclusive em lideres 
como Obama, é fruto dessa corrupção. 
Smith previu as bases para 
o surgimento do pensamento 
de Marx e Gramsci..
a corrosão do caráter 
causada pelo enriquecimento 
das sociedades e suas demandas 
de supressão das condições 
reais da vida como 
dor, luta 
e trabalho sem garantias.
Para Smith, o homem 
moderno 
poderia vir a ser um covarde 
viciado em seus pequenos luxos.