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sábado, 3 de outubro de 2026

Françoise Gilot

Françoise Gilot deixou Picasso e levou os dois filhos com ela. Anos depois, decidiu contar como era viver com um dos artistas mais famosos do mundo. Ele tentou impedir a publicação do livro na Justiça. Perdeu três vezes.
A separação aconteceu em 1953, depois de uma relação de dez anos. Segundo Françoise, Picasso dizia que, sem ele, as pessoas perderiam o interesse por ela. Para uma pintora que buscava reconhecimento pelo próprio trabalho, aquela previsão atingia justamente o futuro que ela queria construir.
Quando os dois se conheceram, em Paris, em 1943, ela tinha 21 anos e ele, 61. Picasso já era uma celebridade internacional. Françoise começava a expor suas obras e havia contrariado o desejo do pai, que queria vê-la seguir carreira no direito, para se dedicar à pintura.
Ela já era artista antes de se tornar companheira de Picasso. Mas, ao lado dele, seu nome passou a ser associado principalmente aos retratos que inspirava e aos dois filhos do casal, Claude e Paloma.
Nas memórias que publicaria mais tarde, Françoise descreveu uma convivência marcada por controle e humilhações. A admiração pelo talento de Picasso não a impediu de reconhecer o sofrimento daquela relação. Em 1953, decidiu encerrá-la.
Sair, porém, não significou deixar os conflitos para trás. Segundo seu relato, Picasso pressionou galerias para que não trabalhassem com ela. A separação também trouxe o afastamento de pessoas ligadas ao pintor.
Françoise continuou produzindo. E, em 1964, publicou “Vida com Picasso”, escrito com o crítico de arte Carlton Lake. O livro mostrava tanto o artista trabalhando quanto o homem na intimidade, com suas contradições e comportamentos difíceis. As tentativas de barrá-lo fracassaram, e a obra se tornou um sucesso internacional.
Enquanto o público lia sobre seu passado, ela seguia construindo uma carreira. Expôs na Europa e nos Estados Unidos, explorou novas formas de pintar e também trabalhou com gravuras e poesia.
Em 1970, casou-se com Jonas Salk, cientista responsável pela primeira vacina contra a poliomielite. Sua produção artística continuou, e suas obras passaram a integrar acervos como os do Museu de Arte Moderna e do Metropolitan, em Nova York.
Françoise morreu em 2023, aos 101 anos, deixando uma produção que atravessou mais de oito décadas.
Picasso ocupou dez anos de sua história. Depois de deixá-lo, ela ainda teve outros setenta para viver, trabalhar e assinar as próprias obras.