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sábado, 4 de janeiro de 2025

A Cold Day

Onde andará a silhueta...
desses antigos campeiros
Que desenhavam saudades
Na fumaça dos palheiros
E madrugavam setembros
Na voz clara dos braseiros
Onde andará a manhanita
Dos mates de gosto bueno
Da encilha dos gateados
Contraponteando o sereno
E a humildade dos ranchos
Guardando sonhos morenos
Onde andará o verso claro
Ponteado numa canção
Que se espalhava em floreios
Pelas tardes do galpão
E matizavam campeiros
Ao som da gaita e violão
Onde andará a tarde longa
Das ressolanas campeiras
Onde a alma desses tantos
Cruzava além da porteira
Pra o mundo das invernadas
Por não saber das fronteiras
Por onde andará o semblante
De um avô maragato
Que eternizou seu silêncio
Na moldura de um retrato
E dos seus causos antigos
Desses campeiros de fato
Quem sabe andam perdidas
Na saudade dos avós
Ou presas dentro do peito
Querendo saltá na voz
Mas bem certo elas se acham
Guardadas dentro de nós....

da letra de...
Luiz Marenco.
Os tempos 
mudam

mudamos 
com eles...
Se o tempo 
apaga lembranças 
de um corpo,
ou 

de um rosto, 
O tempo não apaga 
lembranças 
da memória.
Há pessoas que 

fizeram um
pequeno instante,
ser,
um grande momento.
Disse isso...
Lembrava,
meus 12 anos já tropeiro,
a viagem,
num cavalo tordilho...
nos campos de Palmas...
bebia água  agachado, 
na beira do rio roseira...
Ali cheguei uma noite...
retirei do cavalo...
a primeira parte da encilha...
o buçal e freio,
pelegos até barrigueira,
baixeiro, laço,
peiteira enfim todos os arreios,
restava o cabresto.
De bota com espora e chapéu...
puxei o cavalo,
pra dar uns passos envolta
na cabanha...
Era a fazenda Rozeira
Olhava o horizonte..
O Sol, de presença suave...
sobre as colinas...
no fim da tarde,
acima só um capão,
pequeno agrupamento de mato
no campo,
apenas um ser...junto aos peões,
via o avermelhado,
se anunciava o partir,
lentamente,
num céu rubro.
A claridade pouca...
Olhava o horizonte..
O Sol me encantava.

Hoje..na tarde
sempre há algo
que se traduz em cor... 

ao meu olhar...
cores douradas.
Enquanto a luz
também orienta os homens
para mudança,
na escuridão da noite
aqui pequenos fragmentos
do que passava ali  galpão.
A intimidade da vida de tropeiro,
despojado,
Via reaparecer, 

a noite,
os peões, que caminhavam,
na casa de paredes  
quase nuas, 
na estreita varanda, 
do chão batido,
na casa de madeira da fazenda.
Os dias agora 
não são os mesmos,
mas continuam frios,
e frio mesmo é hoje,
só aquece no gosto amargo  
do chimarrão, 
o mesmo 
chimarrão 
que mateava 
pensando 
em que faria 
quando 
o dia começar...

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Tropeando o Gado

Além dos peões
o Sol, presença suave...
tateando a colina... 
no fim da tarde.
Na fazenda Roseira,
mirando 
horizonte...
via
pássaros 
e
araucárias,
além do sol 
acima 
do capão,
no mato 
do campo,
temos 

muito
mais,
que o ser avermelhado,
anuncia 

partir, 
lentamente, 
no céu misto,
dourado,
e rubro.
Da claridade 
já pouca...
ao sol 

no horizonte..
este é meu 
Hoje..
Há algo
além,

se traduz na cor rubra,
e dourado...
há emoção.
Na luz 
que 

orienta 
homens
para mudança, 
pela 

escuridão 
da noite,
há além,
de tudo uma reflexão.
Aqui pequenos fragmentos
do que passava 

ali no galpão, 
nos anos lembrados,
como um véu

na
intimidade da vida 
do tropeiro,
despojado. 
Reaparecem 
na noite, 
traços familiares,
da vida do campo, 

muito vista
mais, 
vislumbro
paredes da casa,
quase nuas 
uma estreita 
varanda,
um laço,
um jogo de espora, 
junto da madeira 
das portas,
caminho,
no chão batido,
encostado,
no banco do corredor.
Olhava tudo 
e vinha a mente
os sonhos
a cada noite 
em que ficava ansioso 
vislumbrando 

na partida, 
tropeando o gado,
já ali
no amanhecer 
do dia, 
olhava 
o céu azul, 
as nuvens que  
se não passassem.. 
sentia triste..
solitário..
mas sabia que  
não tinha asas..
só voava 
na imaginação. 
Que a imaginação 
é que move o mundo 
de cada um 
no mundo,
desde então...
olhava meus 
pés bem 
no chão,
o par de botas 
e esporas,
é o mesmo chão,
por onde,
ando desde lá 
atrás do meus sonhos.
O tempo não apagou
as lembranças 
a memória das pessoas...
Sei que ninguém  
é hoje mais inocente..
o dinheiro,
o mercado,
estão por trás
da perda da inocência 
da devastação 
e  de todo egoísmo do mundo. 
Toda história é uma
versão de fatos
e documentos
e sempre
entra um pouco
de ficção nisso
também..
Não há homem 
que não
sente saudade
das raízes...
de cada planta,
de cada luz.