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quinta-feira, 23 de junho de 2016

A origem...

Por que duvidam da evolução?
Será que é tão ofensivo ter um ancestral em comum com outros primatas, como os chimpanzés...
Ao menos nos EUA, a evidência é indiscutível.
Em uma pesquisa do grupo Gallup na véspera do aniversário de 200 anos do nascimento de Charles Darwin, no dia 12 de fevereiro de 2009, apenas 39% dos americanos responderam que "acreditam na teoria da evolução".
Não há dados semelhantes no Brasil, mas imagino que os números sejam semelhantes ou piores.
A mesma pesquisa relaciona o resultado com o nível educacional dos respondentes.
Apenas 21% das pessoas com ensino médio completo ou menos acreditam na evolução.
O número sobe para 53% nos graduados e 74% em quem tem pós-graduação.
Outra variável investigada foi a relação do resultado com frequência à igreja.
Dos que acreditam em evolução, 24% vão a igreja semanalmente, 30% ao menos uma vez por mês e 55% nunca vão.
Quanto mais crente, maior a desconfiança em relação à teoria de Darwin.
Por outro lado, a evidência em favor da evolução também é indiscutível.
Ela está no registro fóssil, datado usando a emissão de partículas de núcleos atômicos radioativos.
Rochas de erupções vulcânicas (ígneas) enterradas perto de um fóssil contêm material radioativo.
O mais comum é o urânio-235, que decai em chumbo-207.
Analisando a razão entre o urânio-235 e o chumbo-207 numa amostra de rocha ígnea e sabendo a frequência com que o urânio emite partículas (em 704 milhões de anos, a quantidade de urânio numa amostra cai pela metade), cientistas obtêm uma medida bastante precisa da idade do fóssil.
Por exemplo, os dinossauros desapareceram há 65 milhões de anos.
A evidência em favor da evolução aparece também na resistência que bactérias podem desenvolver contra antibióticos.
Quanto mais se usam antibióticos, maior a chance de que mutações gerem bactérias resistentes. Esse tipo de adaptação por pressão seletiva pode ser investigado no laboratório, sujeitando populações de bactérias a certas drogas e monitorando modificações no seu código genético.
Posto isso, pergunto-me por que a evolução causa tanto problema para tanta gente. Será que é tão ofensivo assim termos tido um ancestral em comum com outros primatas, como os chimpanzés?
A nossa descendência é ainda muito mais dramática: se formos mais para o passado, todos os animais que existem descenderam de um único ancestral, o Último Ancestral Universal Comum (na sigla Luca, em inglês), que provavelmente era um ser unicelular.
Essa desconfiança do conhecimento científico é muito estranha, dada a nossa dependência dele no século 21. (De onde vêm os antibióticos e iPhones?)
O problema parece estar ligado ao Deus-dos-Vãos, a noção de que quanto mais aprendemos sobre o mundo, menos Deus é necessário.
Os que interpretam a Bíblia literalmente veem nisso uma perda de rumo.
Se Deus não criou Adão e Eva e se não nos tornamos mortais após a "queda do Paraíso", como lidar com a morte?
Uma teologia que insiste em contrapor a fé ao conhecimento científico só leva a um maior obscurantismo.
Mesmo que não acredite em Deus, imagino que existam outras formas de encontrar Deus ou outros caminhos em busca de uma espiritualidade maior na vida.