130 milhões de anos no tempo, talvez não se impressionasse
com as flores daquela época.
Eram raras e pequenas,
vivendo à sombra de plantas não florescentes.
Há cerca de 120 milhões de anos, surgiu uma nova linhagem de flores que acabou por dominar muitas florestas.
Hoje, as plantas florescentes compõem a maioria das espécies vegetais vivas.
A maioria das calorias consumidas pelos humanos sai de flores,
sob a forma de alimentos como.milho, arroz e trigo.
As flores também impressionam
por sua enorme diversidade de formas e cores.
Mas a história das flores
deixou cientistas perplexos durante anos.
Charles Darwin chegou a escrever que a evolução das flores era "um mistério abominável".
Hoje, ante a descoberta
de novos fósseis, especialistas falam
do assunto em tom de otimismo cauteloso.
Os cientistas também estão encontrando pistas em flores vivas e seus genes.
Estudos de DNA mostram que algumas poucas espécies representam
as linhagens mais antigas que estão vivas hoje.
O ramo mais antigo de todos é representado por uma única espécie:
um arbusto chamado Amborella, encontrado só no sul do Pacífico.
Todas as flores, desde a Amborella, têm a mesma anatomia básica.
Praticamente todas possuem pétalas
ou estruturas semelhantes que cercam órgãos masculinos e femininos.
Com o tempo, as flores
se tornaram mais complexas:
desenvolveram um anel interior de pétalas e um
anel externo de sépalas,
semelhantes a folhas.
Na década de 1980, cientistas descobriram genes que orientam o desenvolvimento
das flores. Observaram que mutações em uma planta chamada
Arabidopsis podiam desencadear
modificações grotescas, como o crescimento de pétalas onde
deveriam haver estames,
os órgãos masculinos da flor. Outras convertiam sépalas em folhas. A descoberta ecoou ideias originalmente propostas
pelo poeta alemão Goethe,
observador
minucioso de plantas.
Em 1790, Goethe escreveu
o ensaio visionário
"A Morfologia das Plantas",
no qual argumentou que todos os órgãos das plantas, incluindo as flores, começaram como folhas.
Dois séculos depois, cientistas descobriram que mutações em genes podem provocar
modificações como as visualizadas por Goethe.
Juntos, os genes podem
desencadear o desenvolvimento
de uma pétala ou de qualquer outra
parte de uma flor Arabidopsis.

Uma bióloga evolutiva
Vivian Irish, da Universidade Yale (EUA),
ao manipular os genes
de papoulas...
Identificou os genes que produzem as flores, cancelando o funcionamento de alguns
deles e produzindo flores
monstruosas em consequência.
Suas descobertas sugerem que as flores evoluíram mais ou menos como evoluiu a nossa própria anatomia.
Nossas pernas, por exemplo, evoluíram independentemente
das pernas das moscas,
mas muitos dos mesmos genes antigos, construtores
de apêndices, foram empregados
para formar esses membros.
Quando um grão de pólen fertiliza o óvulo de uma planta, ele fornece
dois conjuntos
de DNA.
Enquanto um conjunto fertiliza o óvulo, o outro é destinado à bolsa que cerca o óvulo.
A bolsa se enche de endosperma,
material amidoado que alimenta
o crescimento do óvulo
e nosso próprio crescimento quando
consumimos grãos.
As primeiras flores,
o endosperma possuía um conjunto de genes do genitor masculino
e outro do genitor feminino.
Mas, depois de as
primeiras linhagens
se separarem, as flores
avolumaram seu endosperma
com dois conjuntos de genes, um da mãe e um do pai.
Um biólogo da evolução
na Universidade de Colorado,
não acha que seja coincidência
o fato de as plantas florescentes
terem passado por uma explosão
evolutiva depois de ganhar um conjunto
adicional de genes em seu endosperma.
"É como contar com um motor maior",
explicou.
Em seus estudos sobre como
o conjunto adicional de genes
evoluiu para virar flores,
Friedman
foi atraído pela visão de Goethe.
"A natureza não inventa..
as coisas já são completas",
disse Friedman.
"Ela cria novidades de maneiras muito simples. Elas não são
radicais ou misteriosas.
"Goethe já tinha
entendido isso."
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