Como pedras nos inspiram, nos sensibilizam. No meio do rio havia muitas pedras e a gente entra mata há uma imersão na natureza, de água, pedras, muitas vezes a pessoa é tomada pelo desejo de conhecer e explorar ao máximo o local, a região. Planeja poder ter um intenso contato com aquela natureza desejada que nos aguarda. Isso é muito legal mesmo: desvendar novas paisagens, conhecer diferentes cachoeiras, árvores e explorar muitas possibilidades. Mas será que as pessoas, todas sentem isso da mesma forma.Nos muitos hectares de mata atlântica, da minha floresta desde a casa ao pé da montanha que é onde brotam nascentes e formam muitos riachos se juntam aos afluentes de importantes riachos que descem pelas montanhas formando belíssimas corredeiras e quedas d’água pelo caminho.
Numa casa que é bem próxima ao riacho sou eu quem escrevia ali este texto, sou uma pessoa muito curiosas e ansiosas por aventuras, aproveitávamos para ir aos lugares no rio próximo à nossa casa, eu e amiga, essa é sempre uma oportunidade para perceber o quanto é importante ter essa intimidade com a floresta neste lugar onde é ou está minha casa. Para muitos estar neste lugares é inspirador como é bom andar pelas pedras no rio uma experiência bastante fascinante lembram meus tempos de guri, onde cada dia era uma experiência fascinante. Subir o rio pelas pedras é um desafio e tanto, é preciso usar pés e mãos para se equilibrar, ter atenção às pedras soltas no caminho, é necessário olhar para frente e planejar sua rota para que você encontre no percurso onde é possível passar de uma pedra a outra sem cair no rio. É preciso sentir o rio, onde ele flui mais fraco ou mais forte, avaliar o tamanho do risco de se machucar ou não no rio, caso você caia.
Percorro o caminho de cerca de 50 metros de casa, a água límpida e cristalina não é gelada, a irregularidade das pedras, até pequenas correntezas do rio. Ela, minha amiga segurava firme em minha mão com aquela cara de “pega na minha e não solta”, mas, aos poucos, nos ajudamos a entender que as mãos dela poderiam auxiliar o corpo a passar pelos caminhos mais desafiadores, assim como fazem os ágeis animais de quatro patas. Fomos localizando no caminho as pedras que estavam soltas, eu e ela, pouco a pouco, fomos se acostumando ao trajeto, embora ainda fosse pedir demais para que ela não ousasse nadar nas águas límpidas do rio.
Foi bonito ver que, a cada dia que íamos ao rio ela se apropriava mais desse percurso, ousando mais, reconhecendo as rotas melhores, dominando os recursos do próprio corpo e aprendendo novos pontos de equilíbrio para melhor realizar a caminhada ou travessia. Ao final do dia, eu a assisti emocionada vir ao meu encontro sozinha, atravessando todas as pedras no caminho e, por fim, mergulhando e nadando num pedaço na água límpida e cristalina do rio com satisfação. Ficou para mim o aprendizado: a relação das pessoas com a natureza precisa de espaço, tempo e muita intimidade..uma experiência sensorial emotiva e completa aos cinco sentidos.
