Pensamento meu, isto impactou e ainda impacta, em mim, entre outras razões, por conseguir descrever e circunscrever um dos grandes males da época contemporânea: o vazio. Poderíamos chamá-lo de vazio existencial, certamente, significando a sensação de que a experiência humana nos tempos atuais parece marcada pela carência de sentido além da vivência individual, atitudes que conectam o vazio ao individualismo. Nosso
esvaziamento dos significados transcendentais, em toda sociedade moderna vem do século XIX, na noção de desencantamento do mundo de Weber e pelos autores ditos niilistas do final do século (como Nietzsche, para citar o mais célebre). Assim como os efeitos subjetivos deste esvaziamento, que aparecem sob o signo da angústia, que, ressalvadas as diferenças conceituais, foi trabalhada desde Kierkegaard até os existencialistas nos anos 1930. Quer dizer, existe um processo histórico em curso longevo, identificado por dezenas de pensadores, que trabalharam, cada um à sua maneira, as investigações sobre causas e efeitos desse mal-estar.
Outra coisa importante e atual e o impacto da tecnologia, da sociedade de consumo e do individualismo crescente na subjetividade contemporânea, as vezes tenho os meus insights precisos, múltiplos e profundos, que escrevo algo que tocam-nos a todos na leitura minha abordagem, o modo como escrevo, talvez com uma sutileza instigante.
Não sou moralista do individualismo e seus aspectos, mas são coisas de alguém que descreve as coisas como ele as vê, independente de emissão de juízos de valor, de definições de bem ou mal. E é isso que dá sabor a minha análise do individualismo contemporâneo, os efeitos deste individualismo, as suas raízes, as suas múltiplas manifestações, seja na psicologia, seja na arte ou na política. Sim tem a força de espelhar o mundo, e deixar-nos com as próprias conclusões e interrogações. A internet com sua dominância e a ascensão da social media, c
Não sou moralista do individualismo e seus aspectos, mas são coisas de alguém que descreve as coisas como ele as vê, independente de emissão de juízos de valor, de definições de bem ou mal. E é isso que dá sabor a minha análise do individualismo contemporâneo, os efeitos deste individualismo, as suas raízes, as suas múltiplas manifestações, seja na psicologia, seja na arte ou na política. Sim tem a força de espelhar o mundo, e deixar-nos com as próprias conclusões e interrogações. A internet com sua dominância e a ascensão da social media, c
os conflitos culturais que vivemos e as novas manifestações de sofrimento psíquico que verificamos, a depressão e a ansiedade é algo riquíssimo e empresta um impressionante olhar no nosso mal-estar. Algumas ideias ficaram e outras permanecem, mas, acima de tudo, se sustenta e serve-nos para pensarmos a nossa atual condição. Na
lógica do individualismo pós-moderno, todas as instituições tradicionais são esvaziadas de sentido e de capacidade de conexão entre as pessoas, estando no seu lugar a liberdade irrestrita de escolha. E o que surge daí. Certamente uma multiplicidade de ofertas de preenchimento do sentido existencial para cada indivíduo, abundância que permite uma emancipação individual de subjetividades prêt-à-porter e uma personalização da identidade do Eu. Há várias consequências disso: o narcisismo, a indiferença, a desmobilização do espaço público, a lógica da sedução imperante. Um insight ligeiro que eu gosto de abordar é que as instituições como a igreja, foram destituídas da sua força em fornecer sentido e respostas a cada um, o fim da era dos consensos, cada um tem sua verdade, indiretamente, há hoje uma proliferação de outros vetores de sentido existencial para as pessoas, que podem advir de várias fontes e são variadas e novas formas de religiosidade e espiritualidade, tecnologias psicológicas de múltiplas fontes, experimentações subjetivas que criam um modo de vida, adesão a práticas de vida que poderiam organizar toda uma existência. Como todas novas possibilidades se colocam, se apresentam para cada um de nós. Através de uma lógica, em primeiro lugar, sedutora veja como eu sou interessante, e, em segundo lugar, narcísica eu busco aquilo que combina comigo. Não esqueçamos, não há nisso nenhum julgamento, é uma mera descrição de como alguém vê as coisas. O insight que tudo nos traz sobre isso é instigante: ok, estamos todos mais livres, preenchemos a nossa vida com sentidos que nos dizem mais respeito, mas será que só não multiplicamos a quem somos servis.
Vivemos a era .
A Era do Vazio
A Era do Vazio