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sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Pantanal Paradise Threatened II

A região é uma bacia aluvial com inundações anuais que fluem das terras altas circundantes para o Pantanal e para o poderoso rio Paraguai e seus afluentes.

Animais em risco como a onça pintada.
Atormentado por uma combinação de infortúnios, que vão de inclemência climática a má gestão no uso da terra, passando pela negligência de todas as esferas de governo🇧🇷, o Pantanal queima em velocidade sem precedentes, correndo o risco de, no futuro, sumir do mapa.
É até irônico que, nas últimas semanas, o epicentro dos extremos climáticos que ameaçam o mundo com o incêndio de vastas extensões se situe justamente na maior planície alagada do planeta.
Espalhado por 210 mil quilômetros quadrados nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Brasil, além de partes da Bolívia e do Paraguai, o Pantanal sempre seca e depois incendeia nesta época do ano.
A propagação do fogo, contudo, se acelerou nas últimas temporadas, produzindo imagens dilacerantes, que agora atingem seu apogeu. O desastre se deve, em parte, à fúria da natureza impactada pelas mudanças climáticas.
Esturricado por uma estiagem que já dura seis anos e que reduziu a superfície inundada em 60%, assolado por ondas de calor intensificadas pelo efeito estufa e, nestes meses, ainda alvejado pelo fenômeno El Niño, que aquece o oceano e altera a umidade e o calor nos trópicos, o bioma viu sua vegetação converter-se em palha altamente inflamável.
Resultado: antes mesmo do início da temporada de queimadas, em julho, o ecossistema estava sitiado por labaredas que superam os 3 metros de altura, avançam ao ritmo de 3 quilômetros por hora e já calcinaram área equivalente a quatro municípios de São Paulo.
Nesse compasso, os incêndios vão superar com folga a tragédia de 2020, até então a pior da história, quando 30% do bioma virou cinza e 17 milhões de animais morreram.